Pedagogos, psicólogos e professores de literatura vêm se insurgindo contra um fenômeno por eles considerado altamente prejudicial à formação da mente e da personalidade de crianças e adolescentes. Trata-se da enxurrada de livros, revistas em quadrinhos medíocres e de conteúdo pernicioso ora dirigida ao público leitor jovem, a maioria deles eivada de conceitos flagrantemente distorcidos sobre a realidade e o comportamento humano, com incitações, inclusive, à prática de atos violentos e eróticos.
Grande parte das publicações no gênero é feita, exclusivamente, para vender fácil e de modo indiscriminado, utilizando fórmulas e apelos vulgares no sentido de despertar atenção. Em diversos casos, há o objetivo de os textos serem aproveitados posteriormente, na mesma trilha irresponsável de pretender contagiar menores de idade, em superproduções milionárias do cinema e da televisão.
Críticos famosos como o estadunidense Harold Bloom consideram que não existe diferença entre as literaturas adulta e infantil, mas, sim, entre bons e maus livros. Nunca devem, porém, ser subestimadas e, muito menos, influenciadas pelo hábito de consumir lixo editorial, a sagacidade e a capacidade de desenvolvimento da inteligência infantil.
O que de início se caracterizou como uma estratégia de marketing, que pretendia diferenciar, de maneira marcante, tipos diversos de literatura, terminou por criar inúmeros gêneros estapafúrdios, sem qualquer contribuição ou relação com o aprimoramento intelectual das pessoas. São apenas modismos que se sucedem, com cada vez menor busca de qualidade, somente procurando atingir alvos fáceis de cooptar, ainda que circunstancialmente, pelos esquemáticos e viciosos estratagemas do mercado.
Registram os estudiosos do problema que, dos anos 1970 até hoje, os valores literários estariam se diluindo com maior intensidade do que em qualquer outro período histórico, com autores de notória mediocridade ocupando o lugar de escritores de qualidade reconhecida. Isso acontece com maior frequência no segmento dedicado a crianças e adolescentes, exatamente onde existem grandes autores nacionais e internacionais, entre eles Monteiro Lobato, Robert Louis Stevenson, Mark Twain, Maria Clara Machado e Charles Dickens. Todos esses escritores são capazes de atingir, pela força do talento, tanto o público mais jovem quanto o adulto.
Existem correntes de opinião que admitem qualquer tipo de leitura como válida indução a um posterior conhecimento dos livros de valor intelectual complexo, que requerem maior amadurecimento de vida e experiência de leitura.
Pois é certo que as obras literárias, independentemente de sua qualidade intrínseca, possuem diversos níveis de dificuldade de compreensão. Na verdade, para ultrapassar esses estágios, é preciso formar o hábito e desenvolver o gosto pela leitura, o que desperta a curiosidade e faz uma pessoa passar de um livro para outro, evoluindo na escolha do bem cultural.
Contudo, nem sempre é mencionado o poder massificador da propaganda constante que favorece produções de qualidade nitidamente inferior, agora também divulgadas e acessadas em larga escala através da Internet. Nesse ponto, a orientação dos meios de comunicação mostra-se de imensurável valia, pois eles aliam o apelo positivo da informação ao costume da leitura diária, por meio de jornais, revistas e sítios virtuais dotados de conteúdo rico e da necessária idoneidade.
Acesso em http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1119103
Andrieli
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domingo, 25 de março de 2012
domingo, 20 de novembro de 2011
O preconceito está em nós.
Na sala de aula, assim como em qualquer outro ambiente, ocorrem situações de discriminação. É necessário reconhecê-las e discuti-las
A escola não é uma ilha, e entre alunos e professores estão presentes as mesmas relações de uma sociedade que estimula o individualismo e vê a solidariedade como se fosse um favor e a tolerância como covardia. A nós, educadores, usualmente defensivos, cabe uma posição mais consciente e deliberada contra essa cultura de agressividade, começando por identificar e combater atitudes que comprometem o convívio escolar e envenenam a vida social.
O preconceito não é só coisa de grupos sectários, como skinheads, pois surge, às vezes, da tola pretensão de valorizar a si mesmo ao depreciar diferentes escolhas religiosas, estéticas, desportivas ou musicais. Ele pode se manifestar, às vezes, disfarçado de humor, como na humilhação - ou bullying - de um estudante por seu sotaque regional ou pela forma como se veste. Uma escola que admite posturas como essas, por não reconhecer seu potencial destrutivo, abre caminho para discriminações de etnia, idade, origem, gênero e classe.
Muitas formas de intolerância resultam de visões e superstições presentes nas relações familiares e afetivas e de valores disseminados na sociedade. Em oposição a isso, a escola deve estimular crianças e jovens a identificá-las em piadas, notícias, torcidas esportivas, filmes de ação e novelas e discutir suas origens sociais e históricas. A atividade é adequada a diferentes disciplinas.
As práticas de segregação por condições de vida, preferências ou deficiências também podem ser identificadas e debatidas por meio da dramatização de reações possíveis de jovens e de educadores diante da imagem de um trabalhador urbano saindo imundo de um bueiro ou do sorriso bondoso de uma criança com síndrome de Down. Ao mostrar como os preconceitos são usualmente reforçados por constrangimentos ou revelados pela intolerância, em situações que demandariam compreensão e solidariedade, questionam-se atitudes de professores na sala de aula, por exemplo, ao tratar com alunos que têm diferentes ritmos de aprendizagem.
É difícil não discriminar, pois, ao generalizar experiências pessoais, já prejulgamos. Mais complicado ainda é reconhecer como desfiguramos traços de caráter e sentimentos pessoais ao descrever quem estranhamos. Ao nos referirmos a jovens da escola privada como patricinhas e aos da escola pública como pivetes, por exemplo, estamos revelando nossa própria grosseria e insensibilidade pelo simples uso desses termos - e é bom ter consciência disso.
Os julgamentos preconceituosos, no entanto, nem sempre são definitivos, assim como as afirmações científicas. O que parecia bem compreendido há alguns anos, como a constituição e a expansão do Universo, hoje apresenta vários pontos obscuros. Por isso, valorizar a variedade de culturas, o questionamento dos saberes e a necessidade do contraditório é o que devemos fazer sem propagar outro mito, o da neutralidade absoluta. A escola é um espaço de diversidade privilegiado para aprender a resolver conflitos e saborear a graça do convívio com a diferença. É assim que ela combate os preconceitos.
O preconceito não é só coisa de grupos sectários, como skinheads, pois surge, às vezes, da tola pretensão de valorizar a si mesmo ao depreciar diferentes escolhas religiosas, estéticas, desportivas ou musicais. Ele pode se manifestar, às vezes, disfarçado de humor, como na humilhação - ou bullying - de um estudante por seu sotaque regional ou pela forma como se veste. Uma escola que admite posturas como essas, por não reconhecer seu potencial destrutivo, abre caminho para discriminações de etnia, idade, origem, gênero e classe.
Muitas formas de intolerância resultam de visões e superstições presentes nas relações familiares e afetivas e de valores disseminados na sociedade. Em oposição a isso, a escola deve estimular crianças e jovens a identificá-las em piadas, notícias, torcidas esportivas, filmes de ação e novelas e discutir suas origens sociais e históricas. A atividade é adequada a diferentes disciplinas.
As práticas de segregação por condições de vida, preferências ou deficiências também podem ser identificadas e debatidas por meio da dramatização de reações possíveis de jovens e de educadores diante da imagem de um trabalhador urbano saindo imundo de um bueiro ou do sorriso bondoso de uma criança com síndrome de Down. Ao mostrar como os preconceitos são usualmente reforçados por constrangimentos ou revelados pela intolerância, em situações que demandariam compreensão e solidariedade, questionam-se atitudes de professores na sala de aula, por exemplo, ao tratar com alunos que têm diferentes ritmos de aprendizagem.
É difícil não discriminar, pois, ao generalizar experiências pessoais, já prejulgamos. Mais complicado ainda é reconhecer como desfiguramos traços de caráter e sentimentos pessoais ao descrever quem estranhamos. Ao nos referirmos a jovens da escola privada como patricinhas e aos da escola pública como pivetes, por exemplo, estamos revelando nossa própria grosseria e insensibilidade pelo simples uso desses termos - e é bom ter consciência disso.
Os julgamentos preconceituosos, no entanto, nem sempre são definitivos, assim como as afirmações científicas. O que parecia bem compreendido há alguns anos, como a constituição e a expansão do Universo, hoje apresenta vários pontos obscuros. Por isso, valorizar a variedade de culturas, o questionamento dos saberes e a necessidade do contraditório é o que devemos fazer sem propagar outro mito, o da neutralidade absoluta. A escola é um espaço de diversidade privilegiado para aprender a resolver conflitos e saborear a graça do convívio com a diferença. É assim que ela combate os preconceitos.
Diversidade sempre, desde a Educação Infantil
Valorizar diferentes raças e gêneros e pessoas com deficiência é trabalho para todo dia. Materiais adequados são um bom aliado nessa tarefa
Preconceitos, rótulos, discriminação. É inevitável: desde muito cedo, os pequenos entram em contato com esses discursos negativos. Para que eles saibam lidar com a diferença com sensibilidade e equilíbrio, é preciso que tenham familiaridade com a diversidade - e não apenas em projetos com duração definida ou em datas comemorativas, como ainda é habitual em vários lugares. Outra recomendação importante é que a questão não seja tratada como um conteúdo específico (o que invalida propostas do tipo "bom, turminha, agora vamos todos entender por que é importante respeitar as diferenças").
Melhor que isso é abordar o tema de jeito natural, inserindo-o em práticas diárias, como brincadeiras, leitura e música (leia projeto institucional). "O convívio cotidiano é a forma mais eficaz de trabalhar comportamentos e atitudes", diz Daniela Alonso, psicopedagoga e selecionadora do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10.
Melhor que isso é abordar o tema de jeito natural, inserindo-o em práticas diárias, como brincadeiras, leitura e música (leia projeto institucional). "O convívio cotidiano é a forma mais eficaz de trabalhar comportamentos e atitudes", diz Daniela Alonso, psicopedagoga e selecionadora do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10.
Para conseguir isso, uma providência essencial é adquirir materiais didáticos que valorizem as diferentes raças, pessoas com deficiências físicas e mental e mostrem meninos e meninas em posição de igualdade. Ao comprar instrumentos musicais, contemple os de diversas culturas.
No caso de brinquedos como bonecas, já existem lojas que se preocupam especialmente em privilegiar a diversidade. A compra de livros pode ser mais difícil: uma pesquisa da Fundação Carlos Chagas que analisou 33 obras de Língua Portuguesa só encontrou duas meninas não brancas nas ilustrações.
Entretanto, a busca criteriosa e a leitura prévia costumam resolver o problema. Se a turma já estiver em fase de alfabetização, o Guia Nacional de Livros Didáticos, do Ministério da Educação, é a melhor referência - ele garante que as obras recomendadas não contêm situações de discriminação.
Não se pode esquecer que os pequenos aprendem com o exemplo dos adultos. Pensando nisso, a direção da EMEI Aricanduva, em São Paulo, capacitou a equipe para lidar com a diversidade. Antes, só algumas professoras trabalhavam a questão, por meio de projetos específicos. Hoje a diversidade é contemplada em todo o currículo. "Um resultado prático é que, agora, crianças negras que se retratavam como brancas nos desenhos passaram a usar lápis marrom e preto", comemora a coordenadora Cleide Andrade Silva.
Rede pela Valorização do Docente
Rede pela valorização do docente constata ausência de professores como fontes de matérias jornalísticas
Após a realização de análise em mais de 1.200 matérias de 18 jornais da América Latina sobre o modo como a mídia trata a questão docente, a Rede pela Valorização d@s Docentes Latino-american@s, lançada na quarta-feira, dia 9, em São Paulo (Brasil), publicou um levantamento e pontuou questões como a falta de participação dos professores nas notícias relacionadas à educação.
A pesquisa, realizada de maio a julho deste ano, também concluiu que políticas públicas são implementadas e materiais e disciplinas para as aulas são modificadas sem que os professores sejam consultados sobre a política educacional.
De acordo com Fernanda Campagnucci, editora do Observatório da Educação, foi constatado que os jornais não levam em consideração a opinião dos professores, no entanto, nem sempre isso acontece pela falta de vontade de falar com eles. “Os próprios professores não se colocam no debate pela desvalorização da profissão.”, explica.
A partir de uma análise feita durante a última greve de professores na cidade de São Paulo, Fernanda afirmou que o espaço das matérias, na maioria das vezes, foi destinado ao governo do Estado. Nas situações em que os professores foram ouvidos, se conversou apenas com porta-vozes dos sindicatos ou dos comandos de greve.
“Os professores que não são dos sindicatos nunca são ouvidos. Os jornais deveriam ouvir outros docentes para ilustrar melhor a situação do magistério, saber de outras demandas. A matéria que leva em consideração a opinião dos docentes é mais rica”, alerta Fernanda.
A Editora do Observatório da Educação também critica o fato de as matérias de jornais, geralmente, mostrarem como única demanda o aumento salarial e não trazerem à tona que os professores também pedem melhores condições de trabalho, mais verba para a educação e políticas de valorização do magistério.
Outro fato esclarecido por Fernanda é que os professores não ocupam os espaços que lhe são devidos e não reivindicam seu direito de ser ouvido como fonte porque a categoria hoje tem um forte sentimento de desvalorização. Para que isso mude, a Editora do Observatório da Educação aponta que é preciso entender a valorização dos docentes de forma integral aliando a questão salarial, à criação de canais para que os professores sejam ouvidos e à oferta de melhores condições para o exercício da profissão.
O monitoramento mostrou ainda que os temas mais comentados nas matérias analisadas são qualidade, sistemas de avaliação, problemas de infraestrutura, violência nas escolas e a questão das tecnologias de informação na educação.
Rede pela Valorização d@s Docentes Latino-american@s
A Rede foi lançada na noite da quarta-feira (9) fruto da parceria entre profissionais e organizações do Brasil, Argentina, Equador, Paraguai, Chile, Uruguai, Nicarágua, Costa Rica e Peru e está aberta à participação de demais atores sociais da América Latina interessados na melhoria da educação.
A Rede pela Valorização irá atuar a partir de três eixos estratégicos: comunicação, pesquisa e articulação política. Uma das primeiras ações relacionadas ao primeiro eixo foi a criação do portal Vozes da Educação (http://vozesdaeducacao.org.br/), que será o canal para debates, envio de depoimentos, postagem de vídeos, criação de blogs, entre outras ações. A cada 15 dias, um novo tema será proposto no portal para fomentar o debate. O site já está no ar e aberto ao início da discussão sobre o 1º tema: a adoção da avaliação de desempenho para docentes em Buenos Aires, Argentina.
Acesso em http://portal.aprendiz.uol.com.br/2011/11/18/rede-pela-valorizacao-do-docente-constata-ausencia-de-professores-como-fontes-de-materias-jornalisticas/
Acesso em http://portal.aprendiz.uol.com.br/2011/11/18/rede-pela-valorizacao-do-docente-constata-ausencia-de-professores-como-fontes-de-materias-jornalisticas/
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Conteúdos que devem ser prioritários na escola.
António Nóvoa fala sobre conteúdos que devem ser prioritários na escola.
O educador português e reitor da Universidade de Lisboa, António Nóvoa, defende a priorização do conhecimento e da cultura no currículo. "Outros conteúdos devem ser responsabilidade da sociedade."
"Imagine que a escola é um pote." O pedido tem sido repetido pelo educador português António Nóvoa, um dos mais respeitados nomes na área de formação de professores, em palestras ao redor do mundo. Ele mostra no telão a imagem de um recipiente em que dentro se veem itens como Matemática, Língua e História. "Porém as crianças precisam ter noções de meio ambiente, certo?", diz. "E aulas de cidadania e higiene", completa ele, inserindo, por meio de uma animação, mais conteúdo na vasilha. "Alguém precisa preveni-los também contra a aids, a violência sexual..." Quando o pote já está quase cheio, ele mesmo responde: "Tudo isso é importante, mas não deve ser responsabilidade da escola."
Reitor da Universidade de Lisboa e doutor em Ciências da Educação pela Universidade de Genebra e em História pela Universidade Sorbonne, em Paris, Nóvoa conjuga experiência internacional e conhecimento histórico ao defender que, para fazer um bom trabalho, a escola deve decidir o que é essencial ensinar aos alunos - e gastar tempo e esforços apenas com isso. "À escola o que é da escola", diz. Outros conteúdos devem ser cobrados de outras instituições.
Reitor da Universidade de Lisboa e doutor em Ciências da Educação pela Universidade de Genebra e em História pela Universidade Sorbonne, em Paris, Nóvoa conjuga experiência internacional e conhecimento histórico ao defender que, para fazer um bom trabalho, a escola deve decidir o que é essencial ensinar aos alunos - e gastar tempo e esforços apenas com isso. "À escola o que é da escola", diz. Outros conteúdos devem ser cobrados de outras instituições.
Veja na integra a reportagem e a entrevista que o educador deu a NOVA ESCOLA GESTÃO ESCOLAR no fim do ano passado (2010), quando esteve no Brasil em http://revistaescola.abril.com.br/gestao-escolar/diretor/antonio-novoa-fala-conteudos-devem-ser-prioritarios-escola-574267.shtml
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